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A Trágica História de ‘Se Eu Ficar’ da autora Gayle Forman

A trágica história de Se Eu Fica (If I Stay) da autora norte-americana Gayle Forman, começa quando Mia, a violoncelista prodígio tem de tomar a maior decisão de sua vida. Mas antes que prossiga daqui, caro leitor, eu devo avisá-lo que que esta estória contém spoilers.
Essa não é uma resenha comum em um blog comum de uma publicitária-escritora-comum como você já deve saber. Esta é uma resenha que conta com superação, esforço, fé e amor.
Quantas vezes não perdemos algo? Quantas vezes nós mesmos não nos perdemos em meio a multidão de pessoas que, também, muitas vezes, talvez inúmeras, perderam algo ou a si mesmas?

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Mia tem sonhos, tem um namorado incrível e o fato dele ser incrível é fato dele ser real, tem uma melhor amiga perfeita, família perfeita e uma conexão com a música que te faz vibrar junto com ela, te faz ver como tudo isso é lindo e incrível. Talvez quando olhamos para nós mesmos não enxerguemos isso, talvez nem seja como nos filmes ou livros, mas sempre há alguém que nos ama e faz tudo por esse amor. Mia perdeu os pais, seu irmãozinho que nunca irá crescer, nunca irá se apaixonar, nunca irá dirigir um carro, nunca irá nada por que seu tempo simplesmente acabou. Talvez Mia se sinta culpada, aliás, quem não se sentiria mesmo sem culpa alguma de perder toda a sua família?
Se Eu Ficar (filme/livro) é uma estória real que milhões de pessoas passam ao ano, Se Eu Ficar é a prova escrita e vista de que devemos seguir em frente por mais que queiramos deitar naquele chão frio do banheiro e dizer adeus a tudo. Nós sempre temos uma segunda chance, uma terceira opção, uma escolha. Assim como Mia, eu escolhi ficar.
Minha história de vida não chega nem perto da protagonista, eu não perdi minha família, tenho amigos, cresci feliz e nunca me faltou nada. Mas um belo dia eu consumi um componente químico que sou alérgica em algumas das bebidas da festa de aniversário de uma amiga. Não foi proposital, mas a partir daquele dia eu senti cada segundo da minha vida se esvair. Minha pele empipocou devagar por todo meu corpo, as feridas sangravam e quando fiquei sozinha em casa eu comecei a sentir muita dificuldade para respirar. Minha mãe perguntou se eu estava tudo bem, logo ela teria que ir buscar minha sobrinha recém-nascida no berçário. Bem, eu disse que sim, que era só uma falta de ar e passaria logo. Ela se foi, e quando eu comecei a sentir mais dificuldade para respirar eu fui até o espelho do banheiro e vi a minha garganta se fechando, eu fiquei surpresa, ansiosa, talvez nervosa e isso só piorou meu estado. Já estava quase forçando a respiração, o ar que queimava meus pulmões quanto mais eu forçava, mais minhas forças iam embora. Eu fiquei zonza, tudo parecia um borrão e eu só conseguia olhar para mim mesma no espelho. Então eu escutei uma voz, talvez vocês não me entendam por que na época eu sonhava todos os dias com um anjo, eu escutei a voz dele e ele me disse: Bem, agora você tem apenas duas opções e terá de escolher uma delas. A primeira é deitar neste chão sujo e gelado, talvez demore, talvez não demore, mas não sei se vai sentir dor. Vão te achar facilmente aqui, mas eu espero que a sua escolha seja a segunda: Faça mais um mínimo de esforço, viva, se apaixone, escreva e seja brilhante, seja quem quiser, por que eu sei que será magnífica.

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Eu estava escolhendo a primeira opção até perceber que ele tinha razão, eu não o vi, apenas escutei e tudo o que escutei foi: Coragem. Eu fiz um mínimo de força, naquele momento consegui chegar até o telefone e ligar pra minha mãe e pedir que viesse logo antes que eu nunca mais abrisse os olhos. Eu não me lembro mais se o telefone estava enganchado quando ela chegou, não me lembro quando ela chegou, nem como. Não me lembro de quem me levou pro hospital, não me lembro sequer como cheguei lá. Eu só me lembro dela me acordar no banco traseiro de algum carro que eu não me lembro e me levar pra dentro. Não sei nem se o médico me examinou, a única coisa que me lembro depois daquilo foi uma intra venosa, sob a qual eu gritei e foi preciso mais duas enfermeiras para me segurar e uma delas foi tão gentil que me disse: peça as estrelas que realizem o seu maior sonho, elas me deram o meu. Um filho que eu tanto pedi.
Eu nunca vou me esquecer de nada disso, eu fiquei por todos que amava e por todos que amo, as vezes penso que se eu não tivesse escolhido a segunda opção eu não saberia nunca o que fiz para chegar onde estou. Talvez eu não tenha terminado meus livros, talvez eu nem seja tão brilhante como o anjo disse que eu seria, mas eu sei que pra todos que me amam eu sou a pessoa mais importante na vida deles, mesmo que as vezes não pareça. Eu estou aqui e Mia também voltou, também ficou, também foi forte o suficiente para abrir os olhos e ser mais forte ainda em aceitar que perdeu tudo, mas que nem tudo pode estar perdido.
Se Eu Ficar foi o livro/filme que eu chorei em cada página, cada cena e que me lembrou a cada momento de tudo o que passei para estar aqui hoje, me fez lembrar de como eu batalhei pela minha própria vida e de como eu mudei por isso.
É simplesmente indiscutível, você tem de ler e assistir ao filme, talvez não goste, mas eu passei por essa experiência de escolha entre vida e morte. Talvez você não entenda até passar por isso ou meu aviso de spoilers foi inútil e você perdeu seu tempo lendo isso, mas saiba, meu querido leitor, que a vida não é um brinquedo que se pode quebrar, jogar fora e arrumar outro pra brincar. O que quero deixar a todos é: escolham viver, se apaixonar, escrever suas próprias histórias que um dia serão contadas por dedos e bocas inteligentes, escolham acreditar que viver é bem mais do que viver, escolham aproveitar cada segundo como se o amanhã não existisse e o mais importante agradeçam. Todos temos problemas, todos perdemos alguém, todos perdemos algo, muitas vezes nem é preciso ter perdido algo pra se detestar respirar. Mas olhe pra você, a Mia do livro escolheu ficar e encarar a realidade, por que você também não pode? Depende apenas de você.
E um bônus para quem ainda não se convenceu, como não achei minha cena favorita no youtube e já escrevi demais, então assistam o trailer agora:


Fica aqui o legado de uma publicitária-escritora-comum-não-tão-boa-assim-mas-que-tenta-o-seu-melhor-sempre. #ninichristie

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