Locomotiva Literária

Resenha: Beleza Perdida – Amy Harmon

Deus lhe deu um rosto e você arranja outro” – Hamlet

resenha making faces 2

Beleza Perdida é um livro que, como diz a sinopse original, conta uma história sobre perdas – perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis.

“[…] É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido. […]”

Portanto, meu amor, se você não está preparado para chorar com cada linha deste livro, termine de ler esta resenha aqui mesmo. Mas, caso seja corajoso de verdade e esteja disposto a amar, também, cada linha deste livro, continue, sem medo, por que você vai chorar e vai chorar horrores, além de se apaixonar cada vez mais foi Fern, Bailey e Ambrose!

resenha making faces 1

Bom, o que posso dizer antes que meus leitores leiam a resenha com spoilers? Beleza Perdida foi uma leitura que me conquistou logo na primeira página, e foi uma leitura muito gostosa, até diminuí o ritmo no final para durar um pouco mais o gostinho doce e melancólico que esse livro me trouxe. E vou ser bem sincera, quando conheci esse livro, eu não havia me convencido de que ele era isso tudo. Quando li a sinopse na contra capa do livro, eu nem me dei ao luxo de terminar, achava que era boa demais para esse livro. Só por que começava com um simples “Ambrose Young é lindo, alto e musculoso“… Achava que essa não era a leitura que eu estava procurando. Burra! Era exatamente essa leitura que estava faltando no meu mundinho. E depois que li tantas resenhas falando bem do livro, eu simplesmente decidi dar uma chance, li o resto da sinopse, me surpreendi com o que dizia e disse: Esse livro foi feito pra mim, é esse mesmo! E assim que ele chegou em casa, foi o primeiro livro, dentre tantos outros que chegaram junto, que eu quis ler. E logo no primeiro capítulo já tinha caído lágrima ou outra. Esse livro tem marcas de lágrimas, e não apenas o sofrimento dos personagens, mas o meu também por que chorei em cima dele (rsrsrs). É um livro que eu recomendo muito, me conquistou e entrou para a minha lista de livros favoritos. Eu não posso dizer mais do que isso ou estarei revelando spoiler a quem ainda não leu. Mas o que posso dizer é que: Ambrose Young realmente é lindo! E você, meu querido leitor, vai amá-lo de todas as formas, assim como ele também aprendeu a amar de todas as formas.

Beleza Perdida, ou Making Faces em seu título original, é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. […] Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura de A Bela e a Fera (meu livro favorito da infância) que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

Beijos pra quem fica por aqui e uma boa leitura.

AVISO: CONTÉM SPOILERS

para resenha beleza perdida

Em primeiro lugar, por que eu amaria tanto um livro? Ok, pra começo de conversa, só o fato de Fern Taylor amar livros e escrever já me ganhou. Amo simplesmente quando os personagens tem isso em comum comigo, pois é um dos meios de incentivar a leitura a todo tipo de público consumidor. E acho isso incrível, além de me sentir aquela melhor amiga da personagem. Em segundo lugar, realmente esse livro foi o que mais chorei, cada página era uma lágrima que escorria. Cada frase um turbilhão de emoções que me faziam chorar, e não só isso, os acontecimentos tristes do meio do livro em diante me fizeram ficar depressiva por um tempo.

Minha frase favorita desse livro, foi uma que o Bailey, o primo da Fern, que tem distrofia muscular e perdeu todos os movimentos do pescoço para baixo, disse. É uma frase linda que simplesmente me definiu.

“-A Fern decidiu que super-heróis não eram para ela – disse Bailey da parte de trás. -Ela decidiu que ia ser uma fada, porque gostava de poder voar sem a responsabilidade de salvar o mundo.”

É claro que temos a obrigação com o nosso próximo, mas é tão bom quando nada é esperado de nós e podemos voar com liberdade sem que sejamos cúmplices ou devamos algo a alguém. Essa frase diz muito sobre o que Ambrose sentia e pensava quando ele era um lutador e todos esperavam que ele ganhasse a luta, por que ele era simplesmente um ídolo e não queria que as pessoas esperassem isso dele, pois ele sabia que não era perfeito e, ainda assim, tentava ser para não ver decepção no rosto de ninguém, nem de seus amigos. Por isso fez algo inesperado, ele foi para a guerra e convenceu os amigos a irem também, por que não queria ir sozinho. E aí, você já sabe, todos morrem, mas Ambrose não. Ele tem seu rosto bonito, sua marca registrada que são os cabelos compridos simplesmente roubados de sua juventude. Ele passa por várias cirurgias para retirar estilhaços e mesmo o rosto desfigurado não conseguiu se recuperar completamente, ficando, pela metade, com cicatrizes enormes.

Então ele se esconde das pessoas quando retorna à cidadezinha natal, Hannah Lake, não recebe visitas e nem vai visitar as famílias de seus colegas mortos na guerra, mas continua ajudando o pai na padaria, trabalhando a noite, onde dificilmente alguém o veria. Da pra entender todo o sofrimento causado pela guerra, Ambrose está ferido de todas as formas e carrega sobre seus ombros a culpa pela morte dos amigos. Nisso, Fern o encontra num dia voltando a noite do trabalho no supermercado e descobre que Ambrose, sua paixão a vida toda está trabalhando a noite na padaria. Então ela começa uma aproximação e aí que vem o ponto mais legal do livro: Fern e Ambrose trocam frases de Shakespeare numa lousa em frente a padaria, mais precisamente Hamlet. E acho incrível um livro que cite Shakespeare da maneira como Harmon colocou, fiquei impressionada. E, mais legal que isso é que, no começo do livro, quando Fern e Ambrose ainda estão colégio, eles trocam cartas poéticas. Fern fingindo ser sua amiga Rita, pois Rita havia ficado um tempo namorada de Ambrose e ele muito inteligente havia percebido que a garota das cartas não era ela. Acho que foi a partir daí que o romance dos dois realmente começou, foi antes de Ambrose ir para a guerra.

“Ele tentou suavizar o toque de sua boca contra a dela, tentou dizer que estava arrependido, mas ela ficou congelada em seus braços, como se não pudesse acreditar que, depois de todo o acontecido, ele pensava que podia deixá-la de coração partido e ainda roubar um beijo.
-Me desculpa, Fern – Ambrose sussurrou contra sua boca. -Me desculpa.
De alguma maneira, as palavras derreteram o gelo que o beijo não havia conseguido, e Ambrose sentiu o suspiro de rendição tocar seus lábios. As mãos de Fern subiram até seus bíceps, abraçando-o enquanto ele a apertava, e ela abriu a boca, permitindo a entrada. gentilmente, com medo de destruir a frágil segunda chance que ela concedia, ele moveu os lábios nos dela, tocando sua língua suavemente, deixando que ela o explorasse. Ele nunca tinha agido com tanto cuidado, ou tentado com tanto esforço fazer as coisas do jeito certo. E, quando ela se afastou, ele deixou. Os olhos de Fern estavam fechados, mas havia rastros de lágrimas em seu rosto, e seus lábios pareciam machucados onde ele tinha pressionado forte demais no início, desesperado para apagar a vergonha.
Então ela abriu os olhos. Dor e confusão passaram por seu rosto apenas por um instante, e seu olhar se voltou para baixo. Seu maxilar se apertou, e Fern deu as costas para ele. Sem dizer uma única palavra, ela entrou na van e foi embora”

Então, Ambrose e Fern se aproximam, também com ajuda do primo Bailey, o personagem mais engraçado e altruísta desse livro, vivia de bom humor e nunca reclamava de suas condições físicas. Ele foi um grande novo amigo de Ambrose que o ajudou a ver a vida de outra maneira. O trecho mais engraçado desse livro foi um diálogo entre ele e Ambrose em que Bailey dizia que nunca pode ter um cachorro por que ele nunca pode limpar a própria bunda, e que quando ele pediu a mãe, ela chorou e então ele percebeu que, se não podia nem cuidar de si mesmo, não poderia cuidar de um cachorro. Ambrose abriu os olhos e parou de temer os olhares das pessoas quando vissem seu rosto, agora ele se importava apenas com Fern, e Fern não se importava com seu rosto desfigurado, ela via Ambrose como sempre o vira.

“Eu acabei de te explicar que não consigo ir ao banheiro sozinho, cara. Dependo da minha mãe para abaixar as minhas calças, assoar a droga do meu nariz, passar desodorante nas minhas axilas. E, para pior, quando eu fui para a escola, tinha que confiar em alguém para me ajudar lá também, com  quase todas as malditas coisas. Foi embaraçoso. Foi frustrante. mas foi necessário! Não me restou nenhum orgulho, Ambrose! Nenhum orgulho. Mas era o meu orgulho ou a minha vida. Eu precisei escolher. E você também precisa. Você pode ter seu orgulho e ficar aqui sentado fazendo cupcakes, ficar gordo e velho, e ninguém vai dar a mínima depois de um tempo. Ou você pode trocar esse orgulho por um pouco de humildade e ter a sua vida de volta.”

Bailey foi um grande amigo de Ambrose, como eu disse: foi!
É, meu caro leitor, quando tudo parecia certo, Bailey parte desta para uma melhor da pior forma. E foi quando eu chorei um oceano inteiro, pois era mesmo o personagem mais querido, e o pior, a gente bem sabia que esse personagem não duraria muito por ter distrofia muscular, e que em algum momento do livro ele partiria, difícil mesmo era acreditar e aceitar. O que restou foi um senta e chora maroto. Foi quando fiquei um tempo sem ler o livro chorando sobre o travesseiro. Foi como se eu tivesse perdido alguém e a partir daí o livro estava acabando e eu não queria que acabasse nunca.

Mas por que o Bailey morreu se não foi pela distrofia?
Bailey morreu por que estava passando sozinho na frente de um bar e ouviu o choro de uma criança, ele parou para averiguar e de longe viu Rita, seu grande amor desde sempre desmaiada no automóvel do marido ignorante Garth, com o filho chorando alto. Ele ia se encontrar com Fern, ligou para a policia no caminho com a criança no colo, temendo que Garth matasse seu próprio filho. Ele caiu da cadeira de rodas em uma poça funda de lama onde se afogou enquanto Garth pegava o filho sem prestar socorro. Fern que já voltava do trabalho de bicicleta viu uma grande movimentação no local, e quando viu uma cadeira de rodas sendo tirada da lama, ela soube que era Bailey e que ele tinha partido, deixando então todos os familiares tristes. Ambrose soube quando viu Garth no hospital com a mãe de Rita, o filho e a própria esposa, que tinha sido ele, pelo fato da criança ter lama em sua roupa. A mesma lama em Bailey. Mas Garth fugiu e não foi achado até uma noite quando pegou Fern de surpresa saindo da padaria e a agrediu querendo notícias de Rita, o que ela não diria nem se morresse. Ele perguntou se Rita estava com Ambrose e Fern disse que ela estava com Ambrose, o que Garth riu dizendo que Ambrose nunca ficaria com ela. Ambrose, com o rádio ligado e a batedeira também ligada sentiu um pressentimento, algo que seu amigo sempre lhe dizia “Está sentindo isso?” então saiu da padaria sentindo algo errado pairando no ar e viu a bicicleta de Fern tombada, conseguiu socorre-la e prendeu Garth depois de apanhar bonito (merecido, me senti vingada nessa parte), chamando a polícia em seguida. Fern voltou para casa e Ambrose pediu permissão ao pai dela para que o deixasse passar a noite e um diálogo profundo entre os dois se estabeleceu. O que mais gostei desse diálogo foi uma fala do pai de Fern, Joshua que ele diz que a beleza está na alma.

“-Às vezes a beleza, ou a falta dela, se torna um obstáculo para realmente se conhecer uma pessoa. Você ama a Fern porque ela é bonita?
Ambrose amava a aparência de Fern, mas de repente se perguntou se amava sua aparência porque amava a forma como ela ria, como dançava, como boiava de costas e fazia comentários filosóficos sobre as nuvens. Ele sabia que amava seu altruísmo, seu humor e sua sinceridade. E essas coisas a tornavam bonita para ele.
[…]
-Ambrose, a Fern já enxerga quem você realmente é. É por isso que ela te ama.”

O final deste livro foi surpreendente, não falei de todos os pontos dele, mas dos que achei que deveria e seriam essencial para esta resenha. Amy Harmon conquistou meu coração, me fisgou pela emoção e me comprou como nova leitora de suas obras. E o que me deixou ainda mais chocada, foi quando li os agradecimentos deste livro e vi riqueza. Vi a riqueza deste livro baseado em experiências, em pesquisas, em fundamento. Harmon, até o final deste livro não deixou o foco desaparecer e nem cambalear para o lado. Esse é um livro não apenas de amor, romance, mas de superação e esse é o ponto mais forte e alto. Espero ler mais livros como este, que te mudam profundamente, te fazem olhar para as pessoas com empatia e solidariedade, te transforma em alguém melhor, te transforma em ser humano. Ambrose Young realmente é lindo e o grande herói desta história, este livro não mentiu nenhuma vez.

“-A verdadeira beleza, aquela que não se desvanece ou se esvai, precisa de tempo, de pressão, precisa de uma resistência incrível. É o gotejamento lento que faz a estalactite, o tremor da Terra que cria as montanhas, o constante bater das ondas que quebra as rochas e suaviza as arestas. E da violência, do furor, da ira dos ventos, do rugido das águas emerge algo melhor, algo que de outra forma nunca existiria. E assim suportamos. Temos fé na existência de um propósito. Temos esperança em coisas que não podemos ver. Acreditamos que há lições na perda e poder no amor, e que temos dentro de nós o potencial para uma beleza tão magnifica que o nosso corpo não pode contê-la.”

Adesivos ou giz de cera?

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s