Plataforma dos Sonhos

Knives

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Quando fecho os olhos posso ver os seus olhos azuis suplicando para que eu não me vá. Posso sentir o peso sobre suas costas tornar-se um mártir e eu não quero cair, quero ser salva e levar você comigo.

É um tiro no escuro e quando ouço a música ela me diz:

No que eles miraram quando erraram seu coração?

E há sempre algo que sou incapaz de fazer, há sempre algo que minhas mãos pequenas não podem alcançar. Há sempre palavras inaudíveis incapazes de serem ditas. E tudo o que eu quero agora é deitar meus pensamentos no teu ombro para que eu possa descansar por uma hora ou duas. Eu sei que você não faria questão e até mesmo faria sua melhor interpretação de travesseiro.
Não foi você quem disse que os anjos são os melhores travesseiros?
Eu venho caído cada vez mais fundo desde a queda,
Venho me sentindo culpada por tudo aquilo que sou culpada.
E eu te feri, sou a única responsável por fazer você chorar, não posso passar uma borracha e não é como se eu também pudesse passar o dedão para limpar seu rosto da tristeza.
Eu sou uma máquina, sou uma faca, sou uma arma, e Deus sabe que não quero ferir você.
Mas você é, também, tudo aquilo que eu procuro e estou tão calada que mal posso suportar as palavras gritantes entalados na minha garganta como uma coleira que me prende e me limita.
Ouço sua voz ao fundo, ela me pede, ela me guia, o som furtivo e doce me faz desejar um dia de verão. Promessas são lançadas, todas as minhas partes são suas, até aquelas que estão quebradas.
Não vou desistir, mas também não quero que você desista.
No escuro posso ver a sua forma, despida como em campo de marte, onde pela primeira vez eu vi a dor em seu olhar. Eu queria te curar, te beijar, te agarrar; mas como posso curar você se eu sou intocável? Como posso curar você sem antes me curar? E você continua suplicando, quando eu não consigo mais parar.
E Eu preciso respirar e você é o único ar que eu posso tragar para dentro de mim, então me mantenha viva, por que você é a minha dose diária da humanidade que ainda me resta.

Fotografia: Rodrigo Aquino

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