Locomotiva Literária

Resenha: O Cavaleiro de Bronze I – Paullina Simons

O Cavaleiro de Bronze (The Bronze Horseman no original) não é um livro qualquer. É um livro rico e cheio de valor. É um romance com foco na Segunda Guerra Mundial, que mostra a realidade que a União Soviética passou em tempos de guerra e não só a realidade da Mãe Russia, mas dos nossos protagonistas principais Alexander Belove, Tatiana Metanova e toda a família Metanov.

O que me impressiona neste livro não é o romance proibido que tenta viver em tempos de guerra, mas sim a realidade e o quanto a obra de Paullina Simons é real. É tão real que deveria se chamar: Viver nos tempos de Guerra. E não é piada minha, caro leitor, eu digo isso por que Paullina nos mostra um mundo de destruição, de fome, de frio e morte. Pessoas matando por comida, pessoas morrendo congeladas e doentes. Quem acha que sabe o que é crise, um conselho: pare para ler O Cavaleiro de Bronze e esqueça tudo o que você aprendeu sobre crise, pois nada é crise comparado ao que este livro retrata. Este é um daqueles livros que quando você começa não consegue imaginar o final e é aí que surpreende ainda mais.

o cavaleiro de bronze 1 - resenha

E devo dizer, a obra de Simons era uma meta de leitura há uns 2 anos atrás, quando entrei para a faculdade em 2014, eu havia abandonado a leitura, pois este era o primeiro livro em pdf que eu leria pelo tablet e ainda estava me acostumando à ideia. Então retomei do começo a leitura, já sabendo que este é um livro que me conquistaria inteiramente, mas não imaginando que me prenderia ao livro ao ponto de, até mesmo, sonhar com ele :O

E pra quem não sabe, como todo bom leitor, eu tenho minha listinha de livros favoritos, mas eu não esperava que O Cavaleiro de Bronze entrasse para esta lista. Se não o melhor, um dos melhores que já li. Não é como Beleza Perdida ou Como eu era antes de você, que são títulos que te mudam como pessoa e te transformam mais em ser humano, tampouco se parece com A Menina que Roubava Livros, livro de grande sucesso por retratar, também, a guerra. Não, não é, realmente. Mas é o tipo de livro que mostra ao leitor uma imagem nítida da realidade da guerra, ainda mais ampla, eu diria; é o tipo de livro rico que nos mostra outro tipo de cultura, uma cultura socialista difícil de ser vivida e em épocas ainda mais difíceis  de se manter, até mesmo, vivo.

vol 1

“A Segunda Guerra Mundial ainda não havia alcançado a cidade de Leningrado, onde as duas irmãs Tatiana e Dasha Metanova viviam, dividindo um pequeno cômodo com seu irmão, seus pais e avós.
Tudo muda quando as tropas de Hitler atacam a União Soviética e ameaçam invadir a grande, mas decadente, cidade. Fome, desespero e medo tomam conta de Leningrado, durante o terrível inverno no qual a cidade foi submetida ao cerco alemão.”

Não há palavras que descrevam ao certo a magnitude do quão esse livro é profundo e tocante. Além do romance crescente entre o Tenente Belove com Tatiana, que envolve sua irmã mais velha, Dasha, e forma um triângulo amoroso diferente de qualquer romance que já tenha lido.

Sem dúvidas, um livro digno de 5 estrelas e, se pudesse, mais 5. Esta leitura deveria ser obrigatória em todas as escolas, em todos os níveis. As pessoas precisam ler O Cavaleiro de Bronze.

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS

Olááá e bem-vindos leitores à sessão de spoilers. Onde todo spoiler é contado sem violência e um debate nos comentários pode ser iniciado por leitores que já leram a obra e querem dizer o que acharam numa boa. Já que tem um aviso enorme acima e, caso você seja um perdido que ainda não leu, vaza já daqui ❤ porque não é minha culpa se você ignorou o aviso e prosseguiu. Cof cof, desculpe a delicadeza, cof cof. Então vamos lá.

eu e o cavaleiro de bronze

Em primeiro lugar: Quando conhecemos Tatiana, imaginamos uma personagem infantil, mimada e toda engraçadinha. Mas esse esteriótipo se quebra muito rapidamente a medida com que vai se envolvendo com Alexander e se tornando uma garota mais madura. Mesmo que algumas de suas ações futuras possam vir a ser infantis como dar piruetas, cambalhotas e brincar de soldado no telhado com os amigos de infância. Mas o que surpreende mais em Tatiana é a forma com que é habilidosa e aprende tudo muito rápido. O quão é determinada e forte, sendo ela o pilar de toda a narrativa que sustenta todo o restante de sua família que, infelizmente, morre toda e aos poucos quando a profunda guerra chega trazendo para a cidade de Leningrado fome, frio, doenças, escassez, medo e morte.
E assim como Tatiana, eu também não esperava a força dos alemães e todas as consequências da guerra, mesmo sabendo que ela havia sido devastadora em todos os sentidos.

“Daqui desta estação de clima calmo
Embora estejamos no interior distante
Nossas almas têm a visão daquele mar imortal
que nos trouxe aqui,
Posso em um momento viajar para lá;
e ver as crianças brincando sobre a areia,
e ouvir o mar intenso sempre a rolar.
WILLIAM WORDSWORTH (Tradução livre)”

O começo é algo bem esperado de romance, que ainda assim é uma coisa gostosa de ler, embora embaraçoso para Tatiana. É o dia em que a família Metanov descobre que haverá guerra e decidem enviar o gêmeo de Tatiana, Pasha à um acampamento de meninos em Luga, para a sua segurança. Nem precisa ser um gênio para saber que Pasha é o primeiro a morrer da família, mas ainda assim mantemos uma certa esperança. Neste dia, o pai de Tatiana pede a ela que vá aos armazéns e compre comida. Tatiana então sai toda arrumada usando salto vermelho e um vestido de verão de quando tinha 14 anos, mas que ainda lhe servia e era seu favorito, pois tinha rosas vermelhas por todo o tecido. Ela vê todos os armazéns lotados e domada pela preguiça não entra em nenhum, parando em um ponto de ônibus para ir a outro armazém. Quando o ônibus estava passando ela atravessou a rua para tomar um sorvete, pegaria o ônibus depois, e quando voltou ao ponto tomando o sorvete ela reparou que um soldado a observava do outro lado da rua. Um ônibus passou e ela saiu correndo achando que aquele era o ônibus, mas desistiu de pegar o ônibus, queria continuar vendo o soldado, o motorista gritou e logo após o soldado correu atrás do ônibus desistindo em seguida, o motorista gritou novamente e os dois sentaram no ponto de ônibus esperando pelo próximo. Subiram os dois no próximo ônibus e nenhum deles descia em todos os pontos em que o ônibus parava. Tatiana e Alexander desceram no ultimo ponto e começaram a conversar, ela lhe contando que estava indo na casa da prima Marina e que tinha que passar em algum armazém, mas estavam todos lotados. Alexander a levou para o armazém dos oficiais e no caminho encontrou com Dimitri, um soldado que prontamente se encantou por Tatiana, mas não tinha espaço entre ela e Alexander. Ambos ajudaram Tatiana com as compras a chegar em casa e um choque se instalou entre Alexander e Tatiana quando Dasha, a irmã mais velha surgiu, contando a Tatiana que Alexander era o homem de sua vida com quem tinha saído algumas vezes.

“Era um dia perfeito. Por cinco minutos não havia guerra e era simplesmente um domingo glorioso num junho de Leningrado.
Quando Tatiana tirou os olhos do sorvete, viu um soldado, que a observava do outro lado da rua. Não era nada incomum numa cidade de guarnições, como Leningrado, ver um soldado. Leningrado estava cheia de soldados. Ver soldados na rua era como ver velhas senhoras com bolsas de compras, ou filas, ou cervejarias.
Tatiana o teria olhado de relance ao longo da rua e continuado em frente, só que esse soldado estava do outro lado, olhando-a com uma expressão que ela nunca vira antes. Parou de tomar o sorvete.
Uma sombra já descera no lado da rua em que ela estava, mas via-se o lado dele banhado pela luz do cair da tarde. Tatiana olhou-o firme por um momento, e, ao olhar o seu rosto, alguma coisa mexeu dentro dela; ela gostaria que fosse de uma forma imperceptível, mas esse não era bem o caso. Foi como se seu coração começasse a bombear sangue através das quatro câmaras de uma vez, lançando-o em seus pulmões e inundando o seu corpo. Ela piscou e perdeu um pouco o fôlego. O soldado derretia no asfalto debaixo da pálida luz amarela do sol.
O ônibus chegou, obstruindo a visão de Tatiana. Ela quase gritou e levantou-se, não para subir no ônibus, não, mas para correr adiante através da rua, para não perdê-lo de vista. A porta do ônibus abriu, e o motorista olhou, esperando. Tatiana, suave e silenciosa, quase gritou com ele para que saísse da frente.
– Vai subir, senhorita? Não posso esperar para sempre.
– Subir? Não, não, não vou.
– Então que diabo está fazendo esperando pelo ônibus? – o motorista gritou e bateu a porta.
Tatiana voltou ao banco e viu o soldado correndo ao redor do ônibus.
Ele parou.
Ela parou.
De novo se abriram as portas do ônibus.
– Precisa do ônibus? – perguntou o motorista.
O soldado olhou para Tatiana e depois para o motorista.
– Oh! Pelo amor de Lênin e Stálin! – o motorista berrou, batendo a porta do veículo pela segunda vez. Tatiana ficou em pé na frente do banco. Recuou, tropeçou e rápido sentou-se.”

Sem dúvidas esta é a parte mais engraçada e legal do livro onde ambos se desconcertam e não demora muito para que criem certa proximidade.

Depois de descobrir o envolvimento de Dasha com Alexander, Tatiana tenta sem muitas expectativas se afastar dele, ela chega a dizer isso a ele, e eles continuam se vendo até certo momento que Tatiana já não consegue mais conviver com o peso de estar fazendo algo errado pelas costas da irmã. Na verdade, ela pensa que só de ter sentimentos, ela se torna culpada, como uma vilã. Eles até se chamam carinhosamente como Tatia e Shura, criam uma profunda intimidade que só eles conhecem.

“-Oh, Alexander – ela disse. -O que você quer de mim…
-Tudo! – ele sussurrou num tom feroz.”

E todas as tentativas de se afastarem é um grande fracasso, pois até mesmo o destino tenta reunir Tatiana e Alexander.
Quando numa noite Tatiana escuta sua mãe chorar em descrença pelo filho enviado para mais perto da guerra, pensando que ele estaria morto e perguntando-se por que não uma de suas filhas, Tatiana procura por Alexander para saber se ele pode conseguir uma informação do irmão, e quando ela não obtém ela se junta aos voluntários do povo para cavar trincheiras, uma desculpa para procurar seu irmão em Tolmachevo, em Luga. Dasha, descobrindo o plano da irmã mais nova, corre ao encontro de Alexander e pede que ele traga sua irmã de volta, com medo de perdê-la.

“-Por que, Georgi? Por quê? Eu sei que você pensa da mesma maneira. Você não trocaria a Tania pelo nosso filho ou até mesmo a Dasha? Mas a Tania, tão tímida e fraca, nunca será coisa alguma na vida.
-De todo modo, que espécie de vida ela pode ter aqui, tímida ou não? – disse o pai de Tatiana.
-Não como nosso filho – disse mamãe. -Não como nosso Pasha.”

E temos aí uma das cenas mais românticas e bonitas do livro, que é quando Alexander consegue achar Tatiana debaixo de escombros de uma estação de trem bombardeada depois de tanto procurá-la pela região. Alexander a levou para o acampamento e pediu um médico, mas o médico havia morrido e o que havia sobrado era seu assistente que analisou Tatiana e nada podia fazer, pois os recursos eram poucos. Alexander levou-a até sua tenda e ela acordou, ele limpou todo seu cabelo, seu corpo. Ela estava envergonhada e sentindo dor, mas deixou e no dia seguinte ele lhe conseguiu roupas de alguma enfermeira que havia morrido e a levou de volta a Leningrado. Não antes de passar por um novo bombardeio e beijar Tatiana pela primeira vez.

“-Alexander.
-Agora que amanheceu, de repente sou Alexander outra vez?
-Oh, Shura… -E Alexander não aguentava mais. Curvou-se perto de seu rosto e a beijou. Como ele imaginava, os lábios de Tatiana eram macios, jovens e cheios. O corpo inteiro de Tatiana tremia enquanto ela o beijava com tamanha ternura, tamanha paixão, tamanha carência, que Alexander, sem querer, deu um pequeno gemido. Ele estava aturdido pelas mãos de Tatiana, que puxavam sua cabeça e não a soltavam.
-Meu Deus… – ele sussurrou na boca semiaberta de Tatiana.”

Depois disso a guerra entrou mais a fundo e a situação começou a ficar precária. O inverno que chegou, o racionamento de comida, pois os alemães haviam feito um certo que bloqueava a passagem de mantimentos. Os alemães estavam aniquilando os russos pela fome e a cada dia mais bombardeios, mais pessoas morrendo. Um a um a família de Tatiana ia morrendo, a história do livro chegou a um momento em que faltou até mesmo água e energia elétrica, ela havia emagrecido mais e o corpo estava fraco, mal podia andar, mas fazia esforço, agora, pela sua irmã que estava doente na cama e não conseguia se levantar.
Alexander conseguiu que Tatiana e Dasha fossem retiradas de Leningrado para um lugar mais seguro e com mais comida, havia esperanças de Dasha sobreviver. Na verdade eu queria e não queria que ela morresse, por que pra mim ela era uma pedra no caminho de Tatiana e Alexander, mas uma personagem que acabei gostando. No final ela percebeu o amor entre os dois, que mesmo Tatia e Shura negando, estava ali, e um diálogo entre Dasha e Tatiana se iniciou. Acho que, o mais triste, pois é o momento em que a verdade aparece.

“–Você o ama desesperadamente, não? – Dasha falou. –Como você conseguiu esconder isso de mim, Tania? Você não poderia amar tanto um homem.
Eu não poderia amar tanto um homem.
–Dasha – disse Tatiana com firmeza e graça –, eu amo mais você. – Ela não abriu os olhos enquanto falava.
–E você não escondeu isso de mim – disse Dasha. –De jeito algum. Você colocou o seu amor por ele numa prateleira, não num armário. Marina tinha razão. Eu estava cega.
Ela fechou os olhos e sua voz repercutiu no caminhão, chegando à mulher com o bebê e o marido, à Tatiana, ao motorista.
–Você deixou esse amor em mil lugares para que eu o visse. Eu agora vejo cada um desses dolorosos lugares. – Ela começou a chorar, rompendo num ataque de tosse. –Mas você era uma criança! Como podia uma criança amar alguém?”

Depois disso Dasha morre diagnosticada por tuberculose, eu sinceramente chorei, não queria que ela morresse, mesmo ela sendo uma pedra no caminho, eu pensava que talvez ela sabendo a verdade tiraria o time de campo sem mais delongas e não teria qualquer sentimento de ódio, ciúmes, enfim, por Tatiana e Alexander. Mas penso eu que, pelo menos, ela morreu sabendo a verdade. Não sei, talvez por ter me envolvido demais e até sonhado com a história eu me colocava no lugar de Tatiana, Dasha era como uma irmã mais velha pra mim também e por isso achava importante o papel dela na história. Também por que, agora, Tatiana ficou sem ninguém de sua família, além de sua avó em Molotov.

Ah, e antes que eu encerre esta resenha, não vamos esquecer do incansável e apaixonado Dimitri (não tão apaixonado), que conhece toda a história de Alexander Barrington, o nosso Shura. Alexander na verdade é americano e há toda uma história dolorosa por trás disso. Seus pais, desistiram da America quando ele ainda era uma criança e o trouxe para a Rússia para viver o comunismo, mais tarde ele se tornou Belove, pois seus pais haviam sido presos e torturados por terem procurado a América, pois se viram em situação de aperto e quiseram voltar atrás. Alexander teria sido morto se não tivesse pulado de um trem em um rio e todos achado que ele tinha morrido. Então se escondeu com uma família e quando todos foram fuzilados menos ele, tomou o nome da família. Ninguém tinha provas e então foi enviado a uma tia que há muito não via os sobrinhos daquela família, portanto não o reconhecia, mas o aceitava e a ele também foi dado novos documentos e ele começou a viver uma segunda vida. Pegou amizade com Dimitri na escola e sabendo que o pai servia ao Exército Vermelho, teve de lhe contar a verdade em troca de sua lealdade para ver o pai, ainda preso. E este é um dos fatos por que detesto tanto Dimitri, ele sempre quer alguma coisa de Alexander, por causa desse favor, ele sente muita inveja de Alexander e quer tudo o que Alexander tem, inclusive Tatiana. E esta é a parte legal, por que Tatiana percebe e conta a Alexander e eles vão fingindo indiferença um pelo outro até que Dimitri não sente mais nada por ela, a deixa em paz e até mesmo some do livro por um tempo até a parte final, onde se encontram no leito de morte de Dasha.

♣ ♣ ♣

Enfim, há muita coisa acontecendo em The Bronze Horseman (título original) e tudo acaba com a morte de Dasha, o que por mim poderia ter sido o Dimitri no lugar dela. Esse é só o primeiro volume de uma trilogia já publicada no Brasil, o que eu acho um absurdo, pois no original O Cavaleiro de Bronze é um livro só (vulgo os dois primeiros volumes). Mas a leitura é sempre dinâmica, uma narrativa impecável, não é uma leitura cansativa e alguns nomes são quase impossíveis de decorar, mas que envolve muita história, muita cultura, a época em que se passa. Paullina Simons caprichou neste livro e o que me compra logo de cara para este livro é, logo no começo, a breve dedicatória que ela faz aos seus avós que passaram por ambas as guerras. Eu acredito que ela tenha se inspirado sim nos avós para concluir sua obra e acredito sim que alguns fatos do livro são, também, baseados nos fatos vividos por seus avós.

Mais uma vez: este livro é incrível, Paullina é incrível, não sei por que não o li antes, mas se eu pudesse obrigaria todos a lerem, ele é perfeito. E pra quem ama história, até mesmo colegiais que tem dificuldade em aprender, este é um bom livro para se começar. Espero que o próximo seja ainda melhor que este e eu tenho certeza que será. Um beijão pra quem fica e até a próxima resenha ❤

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