Resenha – A Garota Dinamarquesa

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O livro de David Ebershoff é baseado em uma história real de um transexual chamado Lili Elbe. A ideia do autor é mostrar como era o pensamento de um trans na década de 20, quando a guerra estava no auge e as opções de mudança de sexo eram um tabu maior do que o de hoje em dia.

A obra relata a história de um casal, Greta e Einar, que são pintores e moram em Copenhague na Dinamarca. Einar é um pintor de quadros famoso cujo tema principal de suas pinturas é o pântano que retrata a cidade onde ele nasceu, Bluetooth. Já Greta, que não é uma pintora famosa, desenha retratos de pessoas. Um dia, para terminar o quadro de uma cantora lírica, Greta pediu a Einar que ele vestisse uma meia calça e sapatos de salto alto.

Depois desse episódio, Einar se transforma em Lili e a história começa a se desenrolar. São vários acontecimentos que te fazem querer ficar presa ao livro e saber como será o próximo capítulo. A história me envolveu por contar a história de uma pessoa que ainda não se descobriu, por mostrar que ela está totalmente desestabilizada com os ocorridos, além de o autor relatar como ela pensa sobre si mesma.


RISCO DE SPOILER A PARTIR DAQUI 


O final do livro me deixou decepcionada. Confesso que esperava algo como: “E viveram felizes para sempre”. Por tudo que a Lili passou, eu esperava que o final fosse mais como um conto de fadas, no qual a protagonista se casa e vive feliz para sempre. Mas, como estamos falando de uma história baseada em fatos reais, o final não poderia ser diferente do que foi.

Ah! É importante falar que A Garota Dinamarquesa virou um filme e ganhou o Oscar.;)

 

Título: A Garota Dinamarquesa

Autor: David Ebershoff

Editora: Rocco

Páginas: 368

Ano lançamento: 2000

Edição: 2016 (capa do filme)

Descontos na Estante Virtual

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Galera a Estante Virtual está com frete grátis em mais de 600 mil livros, e olha só a promo só vale até dia 30 de setembro. Corre lá

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É culpa da vítima

A culpa é da vitima Sem dúvida, toda vítima de abuso sexual é culpada. Ela apenas dormia quando o agressor invadia seu quarto, quando ela o olhava implorando para que ele não o fizesse. Na verdade, ela o sugeria que continuasse, ela não gritou, não pediu ajuda, porque era egoísta, não estava preocupada se sua mãe ouvisse, ou o que ele seria capaz de fazer contra ela ou alguém que ela tanto amasse. Ela se silenciou por puro despeito, porque ela queria ser tocada, ela desejava aquilo mais que qualquer outra coisa. E sobre a esposa que não estava bem, ou apenas queria descansar, ela disse “não”, pois queria ser agredida fisicamente e psicologicamente, ela queria ser jogada na cama e ser penetrada com força, pois era isso que ela lia nos livros eróticos. E aquelas que ainda tentam reconhecer as letras que formavam o seu nome? Aquelas que apenas brincavam com as amiguinhas? E o que dizer das exibidas, que usam roupas do momento? O nosso clima não é nem um pouco tropical pra elas andarem se mostrando dessa forma. Elas não se cuidam porque amam seus corpos, elas usam roupas curtas com um único propósito, um convite. É isso o que todas querem, seja em casa, na escola, numa festa, numa reunião em família, ou numa igreja, afinal, todas as mulheres querem ser estupradas, nasceram para isso, para se sujeitarem à humilhação oferecida por alguém que reconhece um convite.

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No G1 saiu a seguinte matéria :

Edição do dia 21/09/2016, 21/09/2016 13h43 – Atualizado em 21/09/2016 15h19

Um em cada três pessoas diz que estupro é culpa da vítima, diz pesquisa

O mais alarmante é que 32% das mulheres entrevistadas na pesquisa também concordam com esse pensamento.

Segundo a pesquisa, muitos dos entrevistados transferiam a culpa para o estilo de roupa que as meninas tem preferência em usar e não ao agressor.

Não é justificativa apontar para o shortinho curto. Se fizerem uma pesquisa, meninas que aderem esse estilo de roupa não ficam nem em terceiro lugar nos casos de estupros. Veja como são os pensamentos de pessoas pequenas, presas em seus mundos pequenos, alienadas por um conceito que se difere anos após ano. Uma agressão sexual não é justificável. É isso que todos precisam entender. A cultura do estupro tem que acabar.

Saiu Trailer de Fallen! OMG!! 😱😱😱😱

Pra quem estava louco, e finalmente, depois de anos sofridos esperando o trailer da tão aguardada produção do movie de #Fallen da autora Lauren Kate, aqui está ele:

 

É quase impossível acreditar que seja real, afinal, nós fãs da Saga Fallen, esperamos, esperamos e esperamos o que talvez possa ser chamado de: uma pequena eternidade!!

Rolaram até rumores de que talvez a produção do filme fosse inverídica, mas cá estamos, a mais um passo dado de termos o filme pronto!!

Quem aí gostou, e está de queixo caído com a novidade? Ergue a mão aí, por que estamos juntos nessa!!

Resenha – Extraordinário

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Esse livro é Extraordinário. Ok, trocadilho ruim, mas convenhamos: não tem outra palavra que descreva melhor esse livro de R. J. Palacio. Um pequeno aviso antes de continuar: tentei não dar muitos spoilers, mas talvez se sinta “spoilerizado” (se é que isso existe). Portanto, você foi avisado!

A autora conseguiu a maestria de fazer você viver um pouco do que August Pullman passa durante o livro. Auggie, como é chamado pelos mais íntimos, tem uma condição genética que, infelizmente, o deixou com uma aparência não muito aceita na nossa “querida” sociedade. Não quero usar a palavra deformação para descrevê-lo, porque acho que isso induz ao preconceito e esse livro tem a importante missão de mudar a visão retrógrada das pessoas quanto àquilo que é diferente do que estamos acostumados a conviver.

“Sei que não sou um garoto de dez anos comum. Quer dizer, é claro que faço coisas comuns. Tomo sorvete. Ando de bicicleta. Jogo bola. Tenho um Xbox. Essas coisas me fazem ser comum. Por dentro.”

2A narração do livro é feita pelo próprio Auggie, do seu ponto de vista em relação ao que tem que passar durante os desafios de ser “diferente”. Em alguns momentos, essa primeira pessoa muda para pessoas que, na minha visão, fazem toda diferença na vida do garoto. Toda a trama do livro se baseia na entrada de August para a escola. É a primeira vez em toda a sua vida que ele vai entrar em uma escola, sem ser a da sua irmã, Via. Fazendo uma ressalva, Via defende o irmão com unhas e dentes, mas a escola vai mudar algumas coisas na rotina do relacionamento de toda a família.

Os pais de Auggie (Nate e Isabel) não são tão protetores quanto eu pensei que seriam. Acho que eles têm momentos assim. Mas o mais incrível desse livro é como o garoto se desenvolve durante as páginas. O garoto que termina o livro não é o mesmo que começa. E isso é perceptível, obviamente, pelos próprios personagens. Mas sua maturidade é o que realmente me surpreendeu. Ele sabe lidar muito bem com a sua condição e, apesar de algumas vezes não conseguir “aguentar a barra”, ele consegue fazer piada de si mesmo, e isso é incrível.

“Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo. – Auggie”

Eu não queria que o livro acabasse, confesso. Eu queria ver mais da trajetória de Auggie, entrando para a faculdade, no seu primeiro emprego, no casamento, com os filhos, enfim… Tem tanta história. A gente sofre junto no livro, não tem jeito, chora mesmo, não vou negar. Mas que dá um orgulho de conhecer a história desse garoto, isso não tenho dúvidas. R. J. Palacio se mostrou uma incrível autora. Como sempre digo aqui: gosto daquele autor que consegue te fazer sentir na pele o que o personagem sente. Não foi diferente em Extraordinário.

Eu aprendi muito com esse livro e eu acho que essa é sua maior lição. Você aprende muita 3coisa, você percebe que às vezes uma barreira, por mais difícil que ela pode ser, só pode ser ultrapassada com persistência, com fé, com amigos e com a família. Eu demorei pra comprar e ler esse livro e, agora, gostaria de tê-lo lido há muito tempo. Mas, como dizem, antes tarde do que nunca. Tenho certeza que você vai gostar, vai se emocionar e vai aprender alguma coisa. Eu acho que Extraordinário tem belíssimos exemplos de ser humano. Destaco-os aqui: Auggie, Via, Jack (Will), Summer e senhor Buzanfa (sério). Mas tem muitos outros que passam pela vida de August que também são sensacionais.

Gentileza: depois de extraordinário, acho que é essa a palavra que define Extraordinário.

“Preceito de Setembro do Sr. Browne:
Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.”

Eu me pergunto o que eu diria ao Auggie se o visse. E acho que descobri a resposta: “Auggie, você pode ser diferente de todas as outras pessoas do mundo, mas é aí que está o seu trunfo: você pode ser diferente! Todos os outros são iguais…”

Ah, não se esqueçam: Extraordinário chega aos cinemas esse ano! Não dá pra perder, mas corra pra ler antes, porque eu tenho certeza que você vai amar.

Ficha técnica

Extraordinário

Autora: R. J. Palacio

Editora: Intrínseca

Ano: 2012

320 páginas

 

Bienal do Livro SP – Livros que compramos

A Bienal do Livro 2016 em SP foi uma grande atração que contou com inúmeras novidades. Algumas delas, nós trouxemos conosco como uma gratificante lembrança ao lado de pessoas pra lá de incríveis, que com certeza estão marcadas em nós.

Eu estou um pouco atrasada com as novidades que trouxemos da Bienal, por isso, peço que me perdoem rsrsrsrs.

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Como vocês podem ver, eu trouxe uma bagagem um pouco cheia rsrsrs. Tenho certeza que alguém levou bem mais livros que eu, e da minha lista, eu realmente não trouxe todos que gostaria. Alguns nem estavam na minha lista, mas me chamaram muito a atenção e só isso bastou para que eu comprasse.

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Eu comprei essa maravilhosa trilogia #stagedive da autora Kylie Scott. Há um tempo eu li Play, o segundo volume, sem saber que era um segundo volume e simplesmente amei. Não fiz uma resenha sobre ele ainda por que não tinha o livro antes e, agora, com certeza lerei na ordem. Mas acredito que não se precise ler na ordem, por que cada livro fala sobre um integrante da banda Stage Dive, então, se você, meu querido e amado leitor, sentir curiosidade, não acho que seja preciso ler na ordem, mas eu lhe asseguro, esse livro vai te tirar altas risadas com cenas embaraçosas e picantes. Eu super recomendo!

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Comprei também o famoso O Ar que Ele Respira. Estava louca pra comprar esse livro, com essa capa maravilinda, a sinopse me intrigou e me deixou pensando muito nesse livro. Alguém que leu, recomenda?
Depois parti para a Novo Século e encontrei, finalmente, o meu tão desejado Tatiana & Alexander, da saga O Cavaleiro de Bronze. Foi o livro mais caro que comprei e sem nenhum arrependimento!
No mesmo estande, comprei O Jardim dos Esquecidos. Ele não estava na minha lista de compras, mas ele me chamou tanto a atenção que eu não resisti. Também não sei se é um bom livro, minhas expectativas estão altas.

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E se engana quem acha que eu não tive a decência de comprar um livro nacional. Grim Reaper, das lindas autoras Miss Nick e Bettina Winkler. Elas estavam na estande da Young distribuindo autógrafos, cartazes e vendendo seu livro. Ele com certeza estava há meses na minha lista. Lembro que comecei a seguir as postagens do livro pelo instagram, e me despertou tanta curiosidade que eu queria comprar, mas não achava o exemplar em nenhum lugar. Então eu tive a feliz sorte de ter encontrado e conseguido um autógrafo das autoras. Eu só não pensei em ter tirado uma foto com elas, fiquei super contente de conhecê-las e não hesitei em comprar um exemplar ❤
Comprem também!!!
Também trouxe para casa um exemplar do tão famoso O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares que logo chegará aos cinemas (yaaaaaay), e um livro de colorir de Game Of Thrones, que foi o mais barato que eu comprei em todo o evento, custando apenas R$10 😀
A biografia do Kurt Cobain, eu procurei pela Bienal toda e não encontrei em nenhum lugar. Então, assim que pude, acessei o site da Saraiva e encomendei pela internet. Eu quis colocá-lo junto aos livros da Bienal por que, afinal, eu comprei na época em que fui para o evento. Eu aderi a leitura dele assim que chegou em minhas mãos e só posso dizer uma coisa: este livro, realmente, faz jus ao título: Mais Pesado que o Céu!

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Esses foram os livros que o nosso colunista & redator Douglas trouxe para casa, e com certeza, bem mais livros que eu rsrsrsrs. Dá pra perceber a paixão que esse menino tem pela Rocco, né gente? Certeza que a essas horas ele está entretido com algum livro da pilha. Quanto mais livros, melhor!! Quem mais concorda?

Bom, esses foram as lindas novidades que trouxemos conosco. Eu espero que tenham gostado, me perdoem novamente pela demora e logo teremos mais novidades sobre a Bienal. Um grande beijo no ❤

A garota do trem – Resenha

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Esse é um daqueles livros que prende a sua atenção. Não sei vocês, mas quando eu começo a ler um livro que o enredo é muito envolvente, eu não paro de ler, fico agarrada ao livro dizendo: “só mais um capítulo e eu paro, só mais um”. Como uma série do Netflix. kkk

A Garota do Trem, de Paula Hawkins, se baseia em três personagens: Rachel, Megan e Ana e o enredo se passa na maior parte na cidade de Witney, uma cidadezinha perto de Londres. No começo fiquei meio perdida, mas depois comecei a ligar os pontos. A autora não revela tudo logo de cara, como: nome, idade, profissão. Não! Ela vai liberando essas informações aos poucos.

A história tem como personagem principal a Rachel e, como o título já diz, ela passa muito tempo no trem, observando a paisagem e imaginando como é a vida das pessoas que a compõe. Acredito que todos fazem isso às vezes, não é mesmo? Olhar a paisagem e as pessoas e imaginar o que elas pensam umas das outras, o que fazem…

O ponto é que, no desenrolar da história, Rachel descobre que uma dessas pessoas que ela tanto observa morreu, e é ai que ela libera o seu lado “detetive” e começa a querer desvendar o assassinato. O fim foi uma das partes que mais me surpreendeu. Foi muito tipo: “O.O como assim!!!”, “não acredito =O!!”. Mas a autora deixar meio que claro que não haverá continuação com o jeito que o livro termina.

Espero ter deixado vocês curiosos e loucos para ler este livro. Ah! Só lembrando, se você se interessou, compre o livro correndo porque dia 27 de setembro tem a estreia do filme.

Ficha técnica

Título: A Garota do Trem

Autora: Paula Hawkins

Editora: Record

Ano: 2015

378 páginas.

Tempo, Congele!

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Tudo o que eu mais queria era que o tempo parasse para que eu só pudesse respirar e sentir que tudo estaria acabado no segundo seguinte em que eu soltasse o ar que queima em meus pulmões como ácido.
Talvez por que o meu tempo esteja se esgotando eu queira fazer tanta loucura, tanta insanidade, revelar o mundo doentio que vive na minha cabeça, tudo pelo qual irei me arrepender depois. Essa é a única explicação que eu acho verdadeira e que faz sentido para a explosão de coisas que tenho sentido e arriscado à minha volta. Talvez por que eu saiba que o tempo está se esgotando, talvez por que eu saiba que eu tenho que aproveitar antes que meu ultimo mês, antes que meu ultimo dia, minha ultima hora, meu ultimo momento, segundo, se esgote e eu já não possa mais fazer nada para mudar tudo aquilo que por séculos tenho sido. É como uma regressão, e ela te faz sentir dores no lugar onde foi atingido. E eu não quero que a minha vida tenha sido um desperdício, eu não quero acabar deixando para trás milhões de questões que eu não pude terminar.
O que eu posso dizer? Eu tentei!
E a ficha só parece cair agora, eu não sei como impedir.
A cada segundo estou morrendo.
Eu só queria que o tempo congelasse e eu poderia gritar sem que ninguém me ouvisse, eu poderia, finalmente, dizer tudo aquilo que vive em mim, em voz alta, sem que alguém realmente pudesse me escutar ou roubar de mim o fôlego que eu preciso ter para encarar a realidade.
Eu sei o que acontecerá depois, eu sei o que acontecerá mais tarde. Eu gostaria de não ser parte disso, mas não há saída. Por amor, nós sacrificamos até mesmo a nossa vida e eu estou disposta a envenenar a minha mente com a tua imagem para que você seja salvo de tudo aquilo que eu fiz, de tudo aquilo que eu fui e não perdoo, por que talvez eu tenha mudado, mas foi o suficiente? Foi o suficiente pra você ou eu já posso parar por aqui? A única coisa que eu não posso fazer é mudar as coisas quando elas ficam escuras. Eu nunca fui a luz. Eu não sou o anjo. Eu falhei?

Fotografia: #Rodrigo Aquino

Resenha: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares

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Eu acho que já falei aqui o quanto amo livros (sério mesmo). Dos mais clássicos, aos mais fantasiosos. Tenho uma queda maior por essa última categoria. Em minha jornada na leitura, me deparei com livros de fantasia que realmente me surpreenderam. O que mais me fascina neles é que consigo imaginar tudo o que eu autor escreve. Não sou o único, e fico feliz por isso. Gosto de autores que conseguem proporcionar essa sensação e essa experiência: de sentir na pele aquilo que é descrito no livro. Pois bem! Não foi diferente com O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs.

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O Diário de Anne Frank – Resenha

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Autora: Anne Frank

Ano:  1947

 

“Eu me sinto fraca domingo em uma cama aquecida, enquanto em algum lugar fora daqui meus queridos amigos estão caindo de exaustão ou sendo derrubados ao chão.”

 

        Fica um pouco difícil até para fazer resenha desse livro. Mesmo que você nunca tenha lido o livro, com certeza já ouviu falar sobre ele. Muitas coisas que acontecem no livro já são de conhecimento geral. Então fica difícil saber o que é spoiler e o que não é. Porque este livro já é parte da história do seu tempo, retrata acontecimentos históricos que são de conhecimento geral, ou deveriam ser. Fiquem avisados. Tem uma possibilidade de eu ter dado alguns spoilers ao longo da resenha

         O livro é ‘O Diário de Anne Frank’, escrito por ela nos anos que ela e sua família ficam refugiados em um lugar secreto, escondendo-se dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Quando Anne começou a escrever esse diário ela não tinha intenção de transformá-lo em um livro, no começo era somente um diário de uma menina entrando na adolescência, um objeto onde ela poderia confidenciar seus segredos e temores. Este diário virá ser uma fonte de conforto para sua alma também.

 

{Pode conter spoiler/ ou não} 

      Anne, antes de ser judia perseguida pela Alemanha nazista, assim como sua família, era uma menina real que realmente existiu, um ser humano como nós. Um indivíduo de verdade, que vivia sem muitas preocupações, que ia para escola, que costumava viver em Amsterdã, nos Países Baixos, com sua família. Tinha uma vida tranquila e comum como qualquer menina da sua idade naquela época.

“Ótima espécie de ser humano, esses alemães, em pensar que eu sou um deles! Não, isso não é verdade, Hitler tirou nossa nacionalidade muito tempo atrás”

 

       Anne tinha treze anos quando ela começou a escrever o diário. O diário em si fora um presente de aniversário. Nas primeiros vinte páginas, Anne é um pouco irritante e um tanto arrogante. Depois, quando a perseguição contra os judeus fica muito séria em Amsterdã, a família dela é forçada a colocar o plano de se esconderem em ação e ela começa aos poucos a mudar e amadurecer.

      Após a chegada da família de Anne no esconderijo, ela basicamente narra seu dia a dia naquele lugar, o convívio constante com sua própria família e com uma outra que também se junta a família dela. Depois mais uma pessoa é adicionada a esse pequeno esconderijo secreto que fica cada vez mais sufocante e apertado, causado pelo confinamento e a convivência diária.

     Ela também nós dá um retrato de como é a vida das pessoas que estão confinadas, escondidas, vivendo em racionamento, temendo por suas próprias vidas. Como a sobrevivência depende de outras pessoas de bom coração, mesmo correndo risco de serem presos, ajudam essas duas famílias, fornecendo-lhes suprimento em um tempo de escassez, em tempo de guerra.

    Aos poucos você vai notando o amadurecimento da Anne, ela deixando de ser aquela menininha despreocupada. Ela vai formando sua personalidade ao decorrer das paginas, seu caráter vai se definindo, assim como suas opiniões e sonhos. Através dessas paginas, nós, leitores, podemos ter um vislumbre do tipo de pessoa que ela seria. Alguém forte, determinada, mesmo nos momentos de medo, que segue firme em frente.

“Criticam tudo, e quero dizer mesmo tudo, sobre mim: o meu comportamento, a minha personalidade, as minhas maneiras; cada centímetro de mim, da cabeça aos pés, dos pés à cabeça, é objeto de mexericos e debates. São-me constantemente lançadas palavras duras e gritos, embora eu não esteja habituada a isso. Segundo as autoridades definidas, eu devia sorrir e aguentar.”

 

     Conforme ela vai criando sua personalidade e caráter, ela também quer ter sua voz ouvida e ser tratada como adulta, e isso vai acarretar brigas terríveis com a sua mãe que é mais tradicional, que tem opiniões que conflitam com as da Anne. O confinamento deles naquele espaço e a impossibilidade de ter um tempo sozinha aumentam a intensidade e a frequência dessas brigas que provocam em Anne um desgaste emocional e psicológico tremendo. Foi nesse mesmo lugar que Anne tem, digamos assim, seu primeiro interesse amoroso por um menino, o filho da outra família que vive naquele esconderijo.

 

” O melhor de tudo é o que penso e sinto, pelo menos posso escrever; senão, me asfixiaria completamente.”

 

{SPOILER}

     A tristeza recai no fim. Após todas aquelas entradas de diário, todo aquele tempo acompanhando o dia a dia, o desenvolvimento e o amadurecimento dessa menina. Você vai se apegando a ela, vai torcendo por ela. Você leitor vai desejar o melhor para essas pessoas, vai pensar que eles sobreviveram à guerra.

     Aí o livro acaba de repente depois da entrada do dia primeiro de Agosto de 1944. As notas finais vêm, e elas são devastadoras. Em pensar que ela estava tão perto e mesmo assim não conseguira sobreviver até o final. Ela tinha tantos sonhos, tantas esperanças, tanto amor pela vida e isso tudo foi tirado dela. No fim, o que a matou foi a tristeza

     De toda as pessoas que estavam escondidas naquele pequeno lugar naquele sótão, somente o pai da Anne sobreviveu a guerra. Ele acaba publicando o diário da filha porque esse era seu desejo. Todos os outros morreram nos campos de concentração.

 ” Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade.”

In my perfect world you’re happy with me…

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Às vezes quando ouço a chuva cair lá fora e está tudo tão calado durante a noite que é quase insano pensar. Quando não posso ouvir mais nada além de um sussurro em meio a escuridão, eu posso sentir que estou tão perto e ao mesmo tempo tão longe de ser tocada.
Eu posso sentir a imensidão da alma.
É quase como se pudesse vê-la se materializando bem diante dos meus olhos, e eu me rendo à utopia por que estou quebrada por dentro, eu me rendo à utopia por que estou acorrentada dentro de mim mesma e é sufocante, como se eu não pudesse mais respirar.
Sentir porque às vezes estar preso dentro de você mesmo pode ser tão claustrofóbico quanto um quarto sem janelas, e o único jeito de ser livre é estar com você em meio às chamas, onde você pode ouvir o som da minha alma por tudo, decifrá-la como hieróglifos e eu sei que sou a única que você pode ler, que você pode sentir. E é tranquilizador, é como se eu pudesse voar, é como se eu fosse transcendental, é como se eu fosse infinita e eterna. Eu gostaria de ser infinita e eterna agora, quando estou deitada no meio do escuro pensando no espaço que não há mais para mim em qualquer lugar. O que isso pode parecer? Quão meramente fodido isso pode estar?
Oh, por favor, eu quero respirar novamente, eu quero respirar o ar limpo e puro que sua boca exala quando inala para dentro. Porque essa, para mim, é a cura, isso para mim é quebrar as correntes que me prendem à todas as cicatrizes ainda feridas.
Me cure, me leve com você, bruxo. Me deixe enfeitiçada novamente porque sou uma dependente. Você sente? Você pode me sentir? Eu estou caindo novamente e eu me pergunto: quando serei salva? Quando salvarei você?
No mundo perfeito que eu criei, você era feliz comigo e eu não sei mais de nada por que em minha mente há tanta confusão incompreensível que eu mesma não me entenderia se fosse você. Como posso continuar? Bruxo, me responda, você é um demônio que minha mente projetou para que eu me auto flagelasse ou você realmente me ama?
Estou trancada a sete chaves dentro da dama de ferro que são teus braços. Tortura, eu sou tão mortal quanto o inferno e você não me corta, você me salva de mim mesma dia após dia desde que tenho vivido.

Fotografia: #Rodrigo Aquino