Locomotiva Literária

O Diário de Anne Frank – Resenha

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Autora: Anne Frank

Ano:  1947

 

“Eu me sinto fraca domingo em uma cama aquecida, enquanto em algum lugar fora daqui meus queridos amigos estão caindo de exaustão ou sendo derrubados ao chão.”

 

        Fica um pouco difícil até para fazer resenha desse livro. Mesmo que você nunca tenha lido o livro, com certeza já ouviu falar sobre ele. Muitas coisas que acontecem no livro já são de conhecimento geral. Então fica difícil saber o que é spoiler e o que não é. Porque este livro já é parte da história do seu tempo, retrata acontecimentos históricos que são de conhecimento geral, ou deveriam ser. Fiquem avisados. Tem uma possibilidade de eu ter dado alguns spoilers ao longo da resenha

         O livro é ‘O Diário de Anne Frank’, escrito por ela nos anos que ela e sua família ficam refugiados em um lugar secreto, escondendo-se dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Quando Anne começou a escrever esse diário ela não tinha intenção de transformá-lo em um livro, no começo era somente um diário de uma menina entrando na adolescência, um objeto onde ela poderia confidenciar seus segredos e temores. Este diário virá ser uma fonte de conforto para sua alma também.

 

{Pode conter spoiler/ ou não} 

      Anne, antes de ser judia perseguida pela Alemanha nazista, assim como sua família, era uma menina real que realmente existiu, um ser humano como nós. Um indivíduo de verdade, que vivia sem muitas preocupações, que ia para escola, que costumava viver em Amsterdã, nos Países Baixos, com sua família. Tinha uma vida tranquila e comum como qualquer menina da sua idade naquela época.

“Ótima espécie de ser humano, esses alemães, em pensar que eu sou um deles! Não, isso não é verdade, Hitler tirou nossa nacionalidade muito tempo atrás”

 

       Anne tinha treze anos quando ela começou a escrever o diário. O diário em si fora um presente de aniversário. Nas primeiros vinte páginas, Anne é um pouco irritante e um tanto arrogante. Depois, quando a perseguição contra os judeus fica muito séria em Amsterdã, a família dela é forçada a colocar o plano de se esconderem em ação e ela começa aos poucos a mudar e amadurecer.

      Após a chegada da família de Anne no esconderijo, ela basicamente narra seu dia a dia naquele lugar, o convívio constante com sua própria família e com uma outra que também se junta a família dela. Depois mais uma pessoa é adicionada a esse pequeno esconderijo secreto que fica cada vez mais sufocante e apertado, causado pelo confinamento e a convivência diária.

     Ela também nós dá um retrato de como é a vida das pessoas que estão confinadas, escondidas, vivendo em racionamento, temendo por suas próprias vidas. Como a sobrevivência depende de outras pessoas de bom coração, mesmo correndo risco de serem presos, ajudam essas duas famílias, fornecendo-lhes suprimento em um tempo de escassez, em tempo de guerra.

    Aos poucos você vai notando o amadurecimento da Anne, ela deixando de ser aquela menininha despreocupada. Ela vai formando sua personalidade ao decorrer das paginas, seu caráter vai se definindo, assim como suas opiniões e sonhos. Através dessas paginas, nós, leitores, podemos ter um vislumbre do tipo de pessoa que ela seria. Alguém forte, determinada, mesmo nos momentos de medo, que segue firme em frente.

“Criticam tudo, e quero dizer mesmo tudo, sobre mim: o meu comportamento, a minha personalidade, as minhas maneiras; cada centímetro de mim, da cabeça aos pés, dos pés à cabeça, é objeto de mexericos e debates. São-me constantemente lançadas palavras duras e gritos, embora eu não esteja habituada a isso. Segundo as autoridades definidas, eu devia sorrir e aguentar.”

 

     Conforme ela vai criando sua personalidade e caráter, ela também quer ter sua voz ouvida e ser tratada como adulta, e isso vai acarretar brigas terríveis com a sua mãe que é mais tradicional, que tem opiniões que conflitam com as da Anne. O confinamento deles naquele espaço e a impossibilidade de ter um tempo sozinha aumentam a intensidade e a frequência dessas brigas que provocam em Anne um desgaste emocional e psicológico tremendo. Foi nesse mesmo lugar que Anne tem, digamos assim, seu primeiro interesse amoroso por um menino, o filho da outra família que vive naquele esconderijo.

 

” O melhor de tudo é o que penso e sinto, pelo menos posso escrever; senão, me asfixiaria completamente.”

 

{SPOILER}

     A tristeza recai no fim. Após todas aquelas entradas de diário, todo aquele tempo acompanhando o dia a dia, o desenvolvimento e o amadurecimento dessa menina. Você vai se apegando a ela, vai torcendo por ela. Você leitor vai desejar o melhor para essas pessoas, vai pensar que eles sobreviveram à guerra.

     Aí o livro acaba de repente depois da entrada do dia primeiro de Agosto de 1944. As notas finais vêm, e elas são devastadoras. Em pensar que ela estava tão perto e mesmo assim não conseguira sobreviver até o final. Ela tinha tantos sonhos, tantas esperanças, tanto amor pela vida e isso tudo foi tirado dela. No fim, o que a matou foi a tristeza

     De toda as pessoas que estavam escondidas naquele pequeno lugar naquele sótão, somente o pai da Anne sobreviveu a guerra. Ele acaba publicando o diário da filha porque esse era seu desejo. Todos os outros morreram nos campos de concentração.

 ” Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade.”

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