Resenha: Bonsai – Alejandro Zambra

Autor: Alejandro Zambra

Ano: 2006

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mas naquela noite ambos descobriram as afinidades emotivas que com um pouco de vontade qualquer casal é capaz de descobrir.”

        Uma resenha muito prevê para um livro curto, pequeno, assim como o titulo indica. Bonsai é uma história de amor compacta, sem  firulas, enfeites, e enrolação . Mesmo assim não perde sua beleza, assim com o Bonsai , que é uma miniatura de uma árvore sem deixar de ser uma árvore.

       Bonsai é uma história de amor entre Júlio e Emília, de como se conhecem, se apaixonando e rompem. Ela morre no final, ele fica sozinho. E isso nem é um spoiler porque o autor joga na cara do leitor logo no início do livro, no primeiro parágrafo da primeira página. O que nos motiva a continuar lendo essa história é como, porque, esses eventos aconteceram.

      Eu pessoalmente adorei o livro, adorei a genialidade do autor em escrever um romance e cortar tudo que a gente gosta, que é a enrolação, o desenvolvimento dos sentimentos, o sofrimento, entre outras coisas. Zambra resume tudo isso em poucas linhas. Ele conta com maestria a história inteira desse casal em poucas páginas sem perder a essência  e o interesse do leitor.  Diria que Bonsai é um romance cru, o autor vai direto ao ponto, onde tudo é muito claro, onde eles estão indo. Pelo menos foi pra mim.  Minha parte favorita foi “Tantalia”, um conto do Macedonio Fernández.  Leiam e descubram como esse conto se encaixa nessa pequena intensa história de amor.

O Diário de Anne Frank – Resenha

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Autora: Anne Frank

Ano:  1947

 

“Eu me sinto fraca domingo em uma cama aquecida, enquanto em algum lugar fora daqui meus queridos amigos estão caindo de exaustão ou sendo derrubados ao chão.”

 

        Fica um pouco difícil até para fazer resenha desse livro. Mesmo que você nunca tenha lido o livro, com certeza já ouviu falar sobre ele. Muitas coisas que acontecem no livro já são de conhecimento geral. Então fica difícil saber o que é spoiler e o que não é. Porque este livro já é parte da história do seu tempo, retrata acontecimentos históricos que são de conhecimento geral, ou deveriam ser. Fiquem avisados. Tem uma possibilidade de eu ter dado alguns spoilers ao longo da resenha

         O livro é ‘O Diário de Anne Frank’, escrito por ela nos anos que ela e sua família ficam refugiados em um lugar secreto, escondendo-se dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Quando Anne começou a escrever esse diário ela não tinha intenção de transformá-lo em um livro, no começo era somente um diário de uma menina entrando na adolescência, um objeto onde ela poderia confidenciar seus segredos e temores. Este diário virá ser uma fonte de conforto para sua alma também.

 

{Pode conter spoiler/ ou não} 

      Anne, antes de ser judia perseguida pela Alemanha nazista, assim como sua família, era uma menina real que realmente existiu, um ser humano como nós. Um indivíduo de verdade, que vivia sem muitas preocupações, que ia para escola, que costumava viver em Amsterdã, nos Países Baixos, com sua família. Tinha uma vida tranquila e comum como qualquer menina da sua idade naquela época.

“Ótima espécie de ser humano, esses alemães, em pensar que eu sou um deles! Não, isso não é verdade, Hitler tirou nossa nacionalidade muito tempo atrás”

 

       Anne tinha treze anos quando ela começou a escrever o diário. O diário em si fora um presente de aniversário. Nas primeiros vinte páginas, Anne é um pouco irritante e um tanto arrogante. Depois, quando a perseguição contra os judeus fica muito séria em Amsterdã, a família dela é forçada a colocar o plano de se esconderem em ação e ela começa aos poucos a mudar e amadurecer.

      Após a chegada da família de Anne no esconderijo, ela basicamente narra seu dia a dia naquele lugar, o convívio constante com sua própria família e com uma outra que também se junta a família dela. Depois mais uma pessoa é adicionada a esse pequeno esconderijo secreto que fica cada vez mais sufocante e apertado, causado pelo confinamento e a convivência diária.

     Ela também nós dá um retrato de como é a vida das pessoas que estão confinadas, escondidas, vivendo em racionamento, temendo por suas próprias vidas. Como a sobrevivência depende de outras pessoas de bom coração, mesmo correndo risco de serem presos, ajudam essas duas famílias, fornecendo-lhes suprimento em um tempo de escassez, em tempo de guerra.

    Aos poucos você vai notando o amadurecimento da Anne, ela deixando de ser aquela menininha despreocupada. Ela vai formando sua personalidade ao decorrer das paginas, seu caráter vai se definindo, assim como suas opiniões e sonhos. Através dessas paginas, nós, leitores, podemos ter um vislumbre do tipo de pessoa que ela seria. Alguém forte, determinada, mesmo nos momentos de medo, que segue firme em frente.

“Criticam tudo, e quero dizer mesmo tudo, sobre mim: o meu comportamento, a minha personalidade, as minhas maneiras; cada centímetro de mim, da cabeça aos pés, dos pés à cabeça, é objeto de mexericos e debates. São-me constantemente lançadas palavras duras e gritos, embora eu não esteja habituada a isso. Segundo as autoridades definidas, eu devia sorrir e aguentar.”

 

     Conforme ela vai criando sua personalidade e caráter, ela também quer ter sua voz ouvida e ser tratada como adulta, e isso vai acarretar brigas terríveis com a sua mãe que é mais tradicional, que tem opiniões que conflitam com as da Anne. O confinamento deles naquele espaço e a impossibilidade de ter um tempo sozinha aumentam a intensidade e a frequência dessas brigas que provocam em Anne um desgaste emocional e psicológico tremendo. Foi nesse mesmo lugar que Anne tem, digamos assim, seu primeiro interesse amoroso por um menino, o filho da outra família que vive naquele esconderijo.

 

” O melhor de tudo é o que penso e sinto, pelo menos posso escrever; senão, me asfixiaria completamente.”

 

{SPOILER}

     A tristeza recai no fim. Após todas aquelas entradas de diário, todo aquele tempo acompanhando o dia a dia, o desenvolvimento e o amadurecimento dessa menina. Você vai se apegando a ela, vai torcendo por ela. Você leitor vai desejar o melhor para essas pessoas, vai pensar que eles sobreviveram à guerra.

     Aí o livro acaba de repente depois da entrada do dia primeiro de Agosto de 1944. As notas finais vêm, e elas são devastadoras. Em pensar que ela estava tão perto e mesmo assim não conseguira sobreviver até o final. Ela tinha tantos sonhos, tantas esperanças, tanto amor pela vida e isso tudo foi tirado dela. No fim, o que a matou foi a tristeza

     De toda as pessoas que estavam escondidas naquele pequeno lugar naquele sótão, somente o pai da Anne sobreviveu a guerra. Ele acaba publicando o diário da filha porque esse era seu desejo. Todos os outros morreram nos campos de concentração.

 ” Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade.”

Resenha: O Sol é para todos de Harper Lee

Livro: O sol é para todos.

Titulo original: To kill a mockingbird.

Autora: Harper Lee.

Publicado: 1960.

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Conheçam o Teddy

“You never really understand a person until you consider things from his point of  view” – Artticus.

(Você nunca vai entender uma pessoa até que considere as coisas a partir do ponto de vista dela.)

O sol é para todos é um clássico da literatura norte americana. Eu li esse livro há um tempo e, pessoalmente, amei. A escrita é fluída, fácil de ler, muito gostosa. O livro é doce e cheio de alegrias e pensamento infantis. A história é narrada em primeira pessoa pela protagonista Scout. Uma adorável menina que vive em uma cidade no interior do sul dos EUA com seu pai e o irmão. Através do ponto de vista simples dessa menininha, ela vai nos narrando eventos sobre o que vai acontecendo em sua vida e na sua cidade.

This time we aren’t fighting the Yankees, we’re fighting our friends. But remember this, no matter how bitter things get, they’re still our friends and this is still our home” – Atticus.

(Dessa vez nós não estamos lutando com estranhos, nós estamos lutando contra nosso amigos. Mas lembre-se, não importa quão difícil isso fique, eles ainda são nosso amigos e esse lugar contínua sendo nossa casa.)

Mas é claro que nem tudo é tão simples assim. Nesse livro, não tem vilões ou mocinhos, é um história sobre natureza humana. Como reagimos, lidamos com o diferente. O preconceito não está somente nos adultos, mas também nas crianças.

A primeira metade do livro é focada mais em Scout, seu irmão Jem e nas suas brincadeiras e travessuras de crianças, as vezes incluindo seu amigo Dill. Uma dessas travessuras era ‘atazanar’ um vizinho estranho que vive perto da casa da menina. Só pelo fato desse vizinho ser diferente, as crianças começam a pensar que tinha algo de errado com ele por não ser igual aos outros e nunca ser visto por ninguém.

Atticus é o pai de Jem e da Scout. Uma figura justa e correta que tenta ensinar as crianças com bons exemplos. No decorrer da história, o pai de Scout é encarregado de cuidar da defesa de uma pessoa que foi acusado de cometer uma atrocidade com uma moça da comunidade. A partir disso podemos ver que os preconceitos que antes não eram tão óbvios assim começam ser muito visíveis. O modo como as pessoas dessa cidadezinha do interior trata as pessoas que são diferentes, até mesmo as mulheres.

Na segunda metade do livro as aventuras de verão e as brincadeiras são trocadas pelo julgamento da pessoa que o pai de Scout está defendendo. Durante esse processo ela e seu irmão vão amadurecendo e começando a  perder a inocência da infância, aos poucos indo para o mundo estranho e confuso dos adultos, e apreendendo a lidar com isso, mas ao mesmo tempo não deixam de ser as crianças que ainda são.

We know all men are not created equal in sense some people would have us believe […] some people are born gifted beyond the normal scope of most men.” -Atticus

(“Sabemos que nem todos os homens são criados iguais no sentido que algumas pessoas querem nos fazer crer […] Algumas pessoas nascem favorecidas para além do âmbito normal da maioria dos homens”)

[SPOILER]

Opinião pessoal: Não preciso nem dizer que meu personagem favorito de longe é o pai das crianças, Atticus. Como adoro esse homem, sempre tão certo e justo, não somente no que ensina para seus filhos nas também em suas atitudes.

Acredito que isso que autora queria passar. Que o preconceito pelo diferente está em todos nós, até mesmo nas crianças. Isso fica claro quando elas ficam atormentando o vizinho que mora perto da casa da Scout. As pessoas não reagem bem ao diferente, porém cabe aos adultos ensinar como as crianças deveriam reagir, explicar e instruí-las. Como Atticus fez, e no fim seus filhos entenderam um pouco da profundidade do seu ensinamento.

Então, quem vocês acham que matou Bob Ewell? Foi um acidente? Foi o Boo Radley ou o Jem? Eu pessoalmente penso que foi o Boo. Eu pensei que Jem ia morrer, que algo ia acontecer com a Scout. Ainda bem que no fim ninguém saiu gravemente ferido.

Achei que foi a coisa mais doce do mundo quando Boo esconde pequenos presente dentro do buraco da arvores para as crianças acharem. Ele com certeza é uma pessoa mal compreendido.

Me surpreendi horrores quando é revelado como aconteceu o suposto abuso sexual contra a menina Ewell. Mas, não dá para culpá-la também, apesar de um ser inocente. Com a família que tem é difícil  ser ‘normal’. O discursos do Atticus no tribunal é uma das melhores coisas do livro. Me partiu o coração quando soube que o cara que foi julgado morreu. Poxa, depois de tudo que Atticus fez por ele.

Eu amei o livro. Com certeza entrou na minha lista de favoritos da vida.